Restaurantes

É o pior pesadelo dos restaurantes: 2,2 milhões podem fechar em todo o mundo

A pandemia abalou a indústria e nem o desconfinamento foi capaz de convencer os clientes a voltarem às mesas.
Muitos não vão sobreviver.

A reabertura dos restaurantes deveria ter trazido um novo fôlego. Apesar da ansiedade, foi com otimismo que os restauradores encararam a reabertura, há cerca de um mês e meio — depois de dois meses de encerramento forçado. O cenário continua negro e as previsões revelam que muitos terão mesmo de fechar novamente. Para nunca mais reabrirem.

“Segundo as nossas estimativas, acreditamos que 10 por cento dos restaurantes em todo o mundo irão desaparecer, com 20 por cento a enfrentarem um duro processo de reestruturação. E esta é uma visão conservadora”, afirma a consultora Aaron Allen & Associates, citada pela “Bloomberg”.

Os números crus são ainda mais duros. Estaremos a falar de 2,2 milhões de restaurantes, partindo da estimativa da consultora de que existem 22 milhões de espaços em todo o globo.

O desconfinamento não foi solução. Os clientes continuam a evitar frequentar espaços fechados e com lotações reduzidas, os negócios tornam-se insustentáveis.

O exemplo norte-americano é paradigmático. Embora com um confinamento menos rígido do que nos países europeus, registou-se uma redução de 95 por cento em reservas e visitas de clientes desde 13 de maio, quando comparado com o mesmo período de 2019, segundo dados da OpenTable.

O aumento da competitividade trouxe também um aumento do endividamento, explica a “Bloomberg”. A situação não é muito diferente por cá, onde o boom turístico multiplicou o investimento no setor, muitas vezes com recurso à banca — o que agora se tem revelado ser um problema.

Cerca de metade dos restaurantes portugueses sofreram quebras “superiores a 80 por cento”, segundo dados da associação PRO.VAR. Essa quebra deverá traduzir-se, ao longo dos próximos meses, no encerramento de “40 mil empresas e despedimento de 150 mil trabalhadores”. A previsão resulta de um inquérito feito a mais de 800 empresas do setor, cuja maioria não foi capaz sequer de aceder a crédito para fazer face às despesas.

Em maio, já o vice-presidente da PRO.VAR explicava à NiT as dificuldades que aguardavam os restaurantes, numa perspetiva de sobrevivência. Com lotações reduzidas a metade, entretanto aumentadas, Jorge Santos revelou que “em teoria, [os negócios] não serão rentáveis”. Falava-se na confiança dos clientes como o ingrediente secreto que poderia atenuar as dores e fazer resistir os espaços até à reposição da normalidade. Seis semanas depois, perto de metade dos portugueses afirmam que preferem não comer fora de casa.

De acordo com um inquérito da Intercampus, a razão mais invocada pelos portugueses para não regressarem às mesas dos restaurantes é o medo de contrair Covid-19, seguido de perto das razões económicas. 41 por cento dos inquiridos disse que não prevê voltar a comer fora nos próximos tempos. E desde a reabertura, 60 por cento afirmou não ter visitado sequer um restaurante.

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