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Trabalhei um dia na McDonald’s e agora faço Big Macs como ninguém (só que não)

Um repórter da NiT esteve no restaurante do Campo Grande, em Lisboa. Houve hambúrgueres e muitas mãos lavadas.
Estivemos na cozinha do Campo Grande.

O Big Mac é dos hambúrgueres mais icónicos da McDonald’s. Quando chega servido na caixa, até parece uma coisa simples de preparar. Tudo ali por camadas, apenas os elementos sobrepostos uns nos outros. Só que não é bem assim. É dos mais complicados de fazer, pelo menos para mim, que passei uma manhã a fazê-los no restaurante do Campo Grande, em Lisboa.

É o único que leva três fatias de pão, que têm de ser colocadas na espécie de torradeira pela face correta, com o risco de torrarmos a parte de fora (não aconteceu, vá lá). E depois é toda uma montagem sequencial da esquerda para a direita, para que fique perfeito e não todo trocado (o que também não chegou a verificar-se). Mas já lá vamos.

A entrada no restaurante do Campo Grande, que fica no edifício do antigo Caleidoscópio e tem ainda uma área para os estudantes, fez-se pelas 9 horas. Não me fardei logo, antes de tudo havia um briefing importante com algumas regras básicas e noções de segurança. Todos os novos colaboradores passam por um processo semelhante, mas que demora à volta de quatro horas. No meu caso foi bem mais rápido, mas estive em incumprimento desde o início.

O motivo é simples: a barba. Não é que tenha um tufo farfalhudo, atenção, mas nas cozinhas da McDonald’s não é permitido, nem que seja aparada. Faltou-me o aviso, é verdade, mas como iria ficar apenas por umas horas não houve problema e foi autorizado pelos responsáveis. Piercings, unhas de gel e gelinho também não entram. Obrigatório também é o uso de uma rede para a cabeça, para que não existam quedas de cabelo. Aliás, mesmo quem não esteja a trabalhar, mas tenha de passar pela cozinha por alguma razão, tem de a colocar.

O briefing foi feito no piso inferior, mesmo ao lado dos balneários onde me fardei: polo verde com “I’m lovin’ it (estou a adorar isto)” escrito nas costas; calças castanhas; e uma placa com o nome: Adriano G. A lavagem das mãos foi uma das primeiras coisas que me foi ensinada e aquela que tive de fazer mais vezes. A cada 30 minutos soava um alarme em todo o restaurante. É o sinal para os empregados passarem pela zona da torneira — só há uma. Sempre que se muda de estação, também é necessária esta lavagem. E claro que o avental descartável é outra das peças necessárias — apenas nas bebidas e na zona de serviço é que não é usada.

“As mãos, aqui na McDonald’s, são até ao cotovelo”, explicou um dos responsáveis. A água está sempre a 43ºC. Depois de uma primeira passagem, coloca-se o sabão, esfrega-se bem mais uma vez, limpa-se com papel e, por fim, há ainda o gel higienizante. Senti que era um miúdo outra vez e me estavam a ensinar a esfregar os dentes antes de ir para a cama. Acho que lavei mais vezes as mãos do que fiz hambúrgueres, mas tudo bem.

Já sabia que a limpeza e a higiene eram questões bem tratadas pela McDonald’s. As etiquetas com datas de saída de arcas frigorificas e congeladores, e os tempos de validade dos produtos controlados ao minuto só vieram confirmá-lo.

Aos restaurantes da cadeia já chega tudo pronto a usar. Não há facas ou a necessidade de cortar os legumes. Alface, queijo, tomate, cogumelos e picles só precisam de ser retirados das pequenas caixas que são colocadas na área de preparação dos hambúrgueres — é a mesma para todos. 40 por cento dos produtos (como saladas e alguma carne) são de origem nacional.

Não estive a trabalhar durante o pico do almoço, era capaz de ser algo desastroso para um espaço que por esta altura serve uma média de 400 refeições nessas horas. Eram 11h30 quando me colocaram no posto da preparação dos hambúrgueres, só mesmo na montagem. Pela grelha não passei, mas vi que a carne era colocada congelada no grelhador especial.

A carne não precisa de ser virada, já que também tem uma chapa por cima. O tempo de cozedura dos hambúrgueres varia em relação à gramagem, mas também ao tipo de carne. Em média demoram 40 segundos até estarem concluídos. São depois colocados em travessas numa estufa quente, que fica no final do posto de produção. É o último elemento a entrar antes de ser fechada a embalagem, ou colocado o papel à volta — depende da sugestão.