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Henrique Sá Pessoa: “Receber a segunda estrela Michelin foi um alívio”

O chef do restaurante Alma diz que passou o dia a ouvir boatos de que teria ganho, mas não queria gerar demasiadas expetativas.

Sá Pessoa foi o grande vencedor da noite.

O Alma venceu a segunda estrela Michelin sob orientação do chef Henrique Sá Pessoa. O restaurante lisboeta junta-se assim à exclusiva lista de seis espaços em Portugal com duas estrelas do prestigiado Guia. A entrega dos prémios foi realizada esta quarta-feira, 22 de novembro, no Pavilhão Carlos Lopes, em Lisboa. Leia o artigo da NiT com a lista completa dos restaurantes portugueses que receberam uma estrela no Guia Michelin 2019. 

A NiT falou com Sá Pessoa durante a cerimónia. Mais do que feliz, ele estava sobretudo “aliviado”. Diz que passou o dia a ouvir rumores de que teria ganho a segunda estrela, mas não queria criar demasiadas expetativas.

Estava à espera desta segunda estrela?
Não estava. Havia boatos de que alguns restaurantes portugueses poderiam ganhar uma segunda estrela, mas como somos tantos a um nível muito alto, pensava que era provável haver mais restaurantes com duas estrelas.

Mas tinha essa expetativa?
A expetativa tens sempre, porque sabes que fazes parte dessa corrida, mas não esperava ser o único vencedor. Aliás, as pessoas viram a minha cara de admiração quando subi ao palco. 

O que é que sentiu quando soube que tinha recebido a segunda estrela?
Senti alívio. Ao longo do dia já tinham começado algumas conversas sobre isso e boatos de que o Alma poderia ser o “dois estrelas”. Eu tentei, obviamente, gerir essa expetativa e tentar manter a calma e a postura. Havia o risco de chegar aqui e não receber nada. 

Mas sabia que o trabalho que estava a ser feito merecia esse reconhecimento, certo?
Sim, várias pessoas, sobretudo clientes, têm comentado que fazemos um trabalho que merece esse reconhecimento. Mas, claro, como acontece com tantos outros meus colegas, o prémio podia ter ido calhar às mãos de qualquer um. Mas infelizmente, o Guia não é tão generoso como deveria ser. É a vida.

O que é que vai mudar no Alma depois desta segunda estrela?
O trabalho não vai mudar nada. Vamos aceitar esta responsabilidade com carinho e como uma motivação para continuar a fazer o que sempre fizemos. Foi isso que nos trouxe até aqui. 

Achava que Portugal poderia receber uma terceira estrela já este ano?
Eu tinha quase a certeza que o Zé [Avillez] e o Hans [Neuner] iriam ganhar. Seria uma grande alegria haver um três estrelas. Isso seria a grande notícia da noite. Fico triste nesse sentido, mas fico também contente por ter contribuído para Portugal ter ganho mais um dois estrelas. 

O que é que falta para conseguirmos finalmente essa terceira estrela?
Não falta nada, é uma questão de tempo. Há muitos exemplos de restaurantes em Espanha que demoraram muitos anos até ganharem a terceira estrela. Lembro-me do chef Quique Dacosta, que todos os anos ficava à espera da terceira. O mesmo aconteceu com o Joan Roca. Tenho a certeza que nos próximos dois, três anos vamos ter mais do que um três estrelas Michelin e muitos mais duas estrelas. Há muitos jovens que estão a fazer um trabalho fantástico. 

Onde é que vai guardar esta jaleca?
Eu tinha a primeira com a assinatura da minha equipa toda guardada em casa. Esta vai seguir o mesmo destino. Pode ser que um dia esteja on display algures.