NiTfm live

restaurantes

Restaurante na praia da Figueirinha cobra 30 cêntimos por um copo com gelo

O Bar Mar aumenta o preço dos cafés sempre que os clientes pedem para arrefecer as chávenas.
O espaço Bar Mar fica na Arrábida.

Chama-se Bar Mar e é um restaurante e bar tradicional na praia da Figueirinha, na Arrábida, em Setúbal. No entanto, há algo na ementa que foge à prática comum na restauração. O preçário das bebidas diz o seguinte: “Copo com gelo para café: 0,30€”. Um café custa 1€ e um mazagran (café com pedras de gelo) custa 1,30€. Se um cliente quiser pedir um café e depois um copo com gelo, o valor fica igual ao mazagran.

A prática não é comum — e, por isso, tem sido criticada pelos clientes —, no entanto, é legal.

“Os estabelecimentos de restauração e bebidas poderão proceder à disponibilização e venda de cubos de gelo desde que se encontrem reunidos os requisitos ao nível da Higiene e Segurança Alimentar, bem como sejam cumpridas as obrigações legais ao nível do direito à informação dos consumidores, particularmente no que diz respeito à afixação do preço cobrado pelo produto, incluindo todas as taxas e impostos”, explica à NiT Ana Oliveira, inspetora chefe da ASAE.

Ementa disponível no Bar Mar.

Na plataforma Zomato, a descrição desta opção no menu é ainda mais específica: “Copo com duas pedras gelo 0,30€”. Ainda assim, Mónica Ferreira, responsável pelo estabelecimento, refere à NiT que essa especificidade sobre o número de cubos de gelo já não é seguida pelo restaurante. Ou seja, os clientes pagam o gelo, mas não há um limite máximo de cubos por copo.

“A questão com o gelo para o café vem da experiência que temos tido ao longo dos anos em que o cliente pede o copo com gelo para o café, a seguir pede limão para colocar e depois hortelã. Para colmatar essa questão decidimos cobrar o copo com gelo para o café. Para todas as outras bebidas que requerem gelo, este não é cobrado“, explica Mónica.

Ementa antiga, no Zomato.

A DECO reforça a questão de esta prática ser legal, mas poderá ser reprovável. “Parece-nos censurável até porque não é tradição. E sendo praticada pode vir a ser replicada. No entanto, em termos rigorosos, se a informação está bem identificada para o consumidor é efetivamente legal”, explica à NiT Rosário Tereso, jurista da DECO.

Em maio de 2012, um café na praia de Faro cobrava 0,50€ por um copo com água da torneira. Luís Marmelete, proprietário do snack-bar O Pirata, justificava ao “Público”: “O Estado não oferece nada a ninguém, tudo se paga, o terreno, as licenças, os alvarás, e porque é que eu sou obrigado a oferecer a água que pago?”.