NiTfm live

restaurantes

O restaurante lisboeta onde a ementa é recitada como se fosse teatro

É assim desde 2004 no primeiro Penta Café, do Barreiro. Depois mudou-se para a capital, mas continuou sem carta.
As tostas são a metro.

“Falar das nossas tostas é sempre uma delícia. E começando pelas clássicas, falo da tosta mista.” Assim começa a ementa do Penta Café, o restaurante da Rua do Ouro, na Baixa de Lisboa. Nada disto está escrito numa carta com várias páginas e preços definidos. Neste restaurante são os empregados que a recitam à frente dos clientes. Ana Paula Lima, uma das responsáveis pelo espaço, foi quem teve a ideia de apresentar assim o menu. Estávamos em 2004, ainda no Barreiro.

“Na altura ainda não tínhamos os menus prontos e precisávamos de abrir o restaurante para começar a ganhar dinheiro. A Ana [Paula Lima] sugeriu decorar e dizer todas as opções, e assim ficou”, explica à NiT Luís Martins, outro dos responsáveis pelo Penta Café. O projeto começou em 2004 no Barreiro e em 2010 mudou-se para Lisboa.

O conceito mantém-se — com as tostas a metro e o menu falado. “Há sempre quem peça a carta por escrito, mas explicamos que é assim que trabalhamos. Todos acham muita graça.” A zona é frequentada, sobretudo, por turistas, que também não têm direito a um papel com todas as opções descritas.

Dizemos a carta em português, inglês, italiano e espanhol.” Há estrangeiros que gostam tanto do que vêem, e provam, que durante a estadia na cidade repetem ali várias refeições. No Penta Café trabalham seis pessoas, mas apenas quatro empregados estão habilitados para recitar o menu — cada um à sua maneira. Decore estes nomes: Ana Paula Lima, o marido Luís Martins, os dois com 51 anos, e os dois filhos, Ana Filipa e Luís Martins.

“Não dizemos todos da mesma forma, nem pela mesma ordem. Alguns começam pela tosta de bacalhau, outros pela mista, como é o caso da Ana. Temos sempre entoações e colocações de voz diferentes.” 

Apesar de os clientes quererem gravar estas mini peças de teatro, os atores/empregados pedem para não aparecer. A única exceção foi a NiT, que pediu para fazer um vídeo especial para este artigo. 

A ementa é sempre dita até ao fim, mas os clientes podem interromper quando já tiverem escolhido a tosta. Segue-se o texto dos sumos, que dura mais 30 segundos. 

A tosta mais pequena que pode pedir mede 10 centímetros (a partir de 2,50€), que é medida pela régua de madeira que os funcionários levam até à mesa. Por outro lado, a maior tosta da casa chega ao metro inteiro e pode ser partilhada por sete ou oito pessoas. Custa 54€.

Além da tosta mista, tem a Action, com queijo, fiambre, bacon, chouriço, presunto, paiola, pá fumada, ovo cozido, alface e tomate; e a de bacalhau assado, com queijo, paio, ovo cozido, tomate e azeitona. Pasta de atum, de frango, de delícias do mar, farinheira grelhada e morcela são outras das sugestões.

O Penta Café tem capacidade para 36 pessoas e está aberto de segunda a sábado, a partir das oito horas. Em abril vão chegar os primeiros menus físicos ao restaurante, mas os donos não querem parar de recitar as tostas para os clientes.

“Sabemos que se perde algum tempo e em horas de maior movimento é sempre complicado, mas vamos continuar a fazê-lo à mesma.”

Os bolos também são vendidos ao metro no Penta Café. Eles estão dispostos na vitrine e virados para quem passa na Rua do Ouro. O mil folhas gigante é a escolha mais popular. 

Pelo Alentejo já tínhamos visto algo idêntico. Na Ribeira a ementa é cantada em rap pelo responsável Carlos Carriço. O dono sobe todos os dias para uma cadeira e canta quais são as opções disponíveis no menu. “Sempre que entram clientes, canto o menu. Chego a fazê-lo 15 a 20 vezes aos jantares”, explicou Carlos Carriço à NiT.