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Restaurantes

A comida baiana prova-se na casa da Zana

Rosana abre-lhe as portas da sua casa, no Porto, e dá-lhe um lugar à mesa. Depois só tem mesmo que ter estômago para provar as especialidades brasileiras.

O bobó de camarão de Rosana vem acompanhado com arroz
Abaré cozido ao vapor e servido em folha de bananeira
A sobremesa: cuscus de tapioca com leite condensado
Vá, leve um amigo e, se for o caso, a guitarra

“Se alguém vai a uma casa baiana, tem que sentar à mesa.” Rosana está há quatro anos em Portugal mas mantém bem vivos os hábitos passados pela avó e pela mãe. Nas suas casas, todos tinham lugar à mesa, entre pratos, copos e convívio. A casa de Zana não é diferente. Só precisa de ligar, reservar uma cadeira e escolher o menu — ou deixar que Rosana o faça por si. Uma coisa é certa: a ementa é sempre 100% baiana.

Porque “a necessidade faz o ladrão”, explica Rosana que só quando se mudou para Angola, há oito anos, é que começou a cozinhar. Nunca teve que o fazer no Brasil, até porque a tarefa estava incumbida à avó: “O convívio da nossa família era feito à volta da comida, principalmente ao domingo, para comer a feijoada da avó. E ai de quem não fosse almoçar com ela. Levava bronca (risos).”

As horas a fio que passou a fazer companhia à avó ajudaram-na a perceber quais os truques e segredos de um bom prato de comida baiana. Agora, é a sua vez de juntar à mesa não a família, mas os amigos, amigos de amigos e perfeitos estranhos que lhe entram pela porta.

“Quis criar essa experiência familiar aqui em casa e receber toda a gente como se fossem minhas visitas, sem quaisquer formalidades. Por isso não esperem encontrar um empregado de mesa. Aqui toda a gente entra na cozinha e faz tudo, exatamente como a minha avó faria.”

É de lenço colorido a envolver a cabeça, à moda da Bahia, que Rosana prepara as refeições, que podem começar com entradas como os dadinhos (quadradinhos) de tapioca com queijo coalho ou linguiça fumada com farofa de ovo e banana. Feijoada, rabo de boi estufado, bobó de camarão, moqueca de peixe ou sarapatel, são alguns dos pratos tipicamente brasileiros que completam a ementa, que está longe de estar fechada. Às vezes basta que Rosana encontre um ingrediente especial para que este dê forma a um novo prato. Foi o caso do abará — um bolo de pasta de feijão frade cozido ao vapor em folha de bananeira —, que Zana conseguiu fazer com o camarão fumado que trouxe do Brasil, quase “impossível” de encontrar pelo Porto.

O projeto chega apenas ao seu quinto jantar no Dia dos Namorados. A mesa vai estar cheia de mulheres solteiras, para celebrar a data, e não tem hora para terminar. O horário está fixado até às 2 horas da madrugada, mas nunca é cumprido: “Saem sempre mais tarde. Logo no primeiro jantar, onde eu só conhecia uma pessoa, o grupo foi embora às 3 horas. E tem ainda mais piada quando as pessoas não se conhecem. Deveriam ser sempre encontros improváveis.”

A casa de Zana na Baixa do Porto recebe grupos de entre 6 a 8 pessoas, às quintas, sextas e sábados, sempre a partir das 20 horas. Desiniba-se, ataque a comida baiana e faça companhia a Rosana na cozinha, até porque ali está “mesmo na casa do povo”.

localização, contactos e horários

site e redes sociais

ficha técnica

tipo(s) de cozinha
Brasileira, Baiana
intervalo de valores
Entre 10€ e 20€