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Beatriz Costa: a jovem chef minhota que toca bateria quando não está a cozinhar

Tem 19 anos e já participou num concurso internacional. É uma das maiores promessas da cozinha portuguesa.
Em casa troca os tachos pela bateria. / Foto DR.

Esparguete à bolonhesa é aquele prato que não tem que enganar. Foi o primeiro que Beatriz Costa, a jovem chef do Minho, natural de Ribeirão, fez sozinha. “Ainda hoje é o meu favorito”, explica à NiT. “Tinha oito ou nove anos quando o preparei. A primeira vez que o fiz foi com a ajuda da minha mãe e da avó.”

Tem apenas 19 anos, mas já representou o País num concurso de gastronomia internacional, na Irlanda. Agora, é uma das dez finalistas do projeto New Talent — que resulta de uma parceria entre a NiT, a Santa Casa da Misericórdia de Lisboa e a TVI e que pretende encontrar o maior jovem talento português na área do lifestyle. O vencedor será escolhido através dos votos dos leitores e receberá uma bolsa especial de 10 mil euros para desenvolver um projeto pessoal.

Beatriz começou a interessar-se pela cozinha por causa dos programas de televisão que via durante a adolescência. Sobretudo aquelas rubricas dos talk shows da manhã. “Queria ser como eles, cozinhar e apreciar comida.” A família sempre a apoiou nesta ambição, por isso ninguém hesitou em incentivá-la para entrar num curso profissional no secundário. Estávamos em 2015 quando começou a frequentar a Didáxis, a Escola Cooperativa de Vale S.Cosme, em Riba d’Ave.

No final do curso, em 2018, concorreu e venceu o Minho Young Award Chef. A prova levou-a até Galway, na Irlanda, para participar no European Young Chef Award. Não venceu esta competição, mas apresentou ao júri um prato carregado de orgulhos: um arroz de tacho cozido com entrecosto estufado e vinho tinto.

Como se percebe, ela gosta mesmo é de trabalhar com produtos portugueses. Um dos seus sonhos é conhecer a fundo toda a gastronomia portuguesa. “O ideal seria percorrer todo o País e trabalhar em diferentes sítios para conhecer tudo.”

No secundário, era ponta de lança numa equipa de futebol.

Por enquanto, só tem duas experiências em cozinhas profissionais. A primeira foi durante um estágio de dois meses que realizou no restaurante da Pousada de Viana do Castelo; a outra foi o resultado de seis meses no Escritório de Sabores, em Ribeirão. Ainda assim, lá em casa só ela que é cozinha para a família inteira.

“É raro o dia em que não cozinho em casa. Os meus pais, a minha irmã e avó, com quem vivo, preferem assados, tudo o que vai ao forno.” Pernil assado, arroz de pato e bacalhau são algumas das suas especialidades.

Mas há outra coisa lá em casa que costuma atrair a sua atenção. No quarto tem uma bateria que os pais lhe ofereceram quando era criança. É aqui que gosta de relaxar, tal como no meio de facas, tachos e fogões. Chegou a ter uma banda com amigos e a dar alguns concertos. “Era uma banda de estilo rock e jazz.”

Tem uma bateria onde gosta de relaxar.

Além da cozinha e da música, a fotografia e o futebol são outras duas paixões. No secundário jogou pelo Ribeirão durante três épocas. “Era ponta de lança e extremo. Também estive numa equipa de futsal, mas aí jogava à baliza porque faltavam elementos para esta posição.”

No futuro restaurante que “uma dia irá abrir” quer juntar todas estas paixões. “Quero ter um espaço de cozinha criativa, com bar, que sirva almoços, jantares, tapas, copos, que seja um sítio para conviver e sempre focado na cozinha portuguesa.”

Apesar da inexperiência, nunca se magoou a sério na cozinha. “Só os cortes habituais, mas são ossos do ofício.”  Porém, há uma ingrediente que em circunstância alguma a jovem chef consegue comer. “Não consigo mesmo gostar de queijo. Mas trabalho com ele sem problema.”

Por outro lado, adora trabalhar com canela, alho, alecrim e ervas aromáticas — que são obrigatórias na sua cozinha.

A fotografia é outra das paixões.

Neste momento está no segundo ano da licenciatura em Gestão de Restaurantes e Catering, na Escola Superior de Hotelaria e Turismo do Politécnico do Porto, em Vila do Conde. O próximo passo a curto prazo é um estágio de seis meses que irá fazer num restaurante algures no País. Ainda não sabe onde, mas faz parte do curso.

O futuro pode passar pelo prémio do concurso New Talent, que já tem destino. “Um dos meus principais objetivos seria investir metade da bolsa na minha formação a trabalhar. Quando finalmente conseguir abrir o meu restaurante, quero ter a formação certa para isso.”