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Pingo Doce & Go: experimentámos o novo conceito de supermercado sem filas

O primeiro espaço sem caixas de pagamento da Jerónimo Martins foi inaugurado esta quinta-feira, 3 de outubro, na Nova SBE. A NiT já lá foi às compras e conta-lhe tudo.
É assim que se entra.

Esta quinta-feira, 3 de outubro, o campus universitário da Nova SBE, em Carcavelos, recebeu um novo e inovador conceito de supermercado. Aqui não há filas, talões, notas ou moedas. A entrada é feita através de uma app. O Pingo Doce & Go parece saído de um filme de ficção científica, mas é um espaço bem real onde foram feitas exatamente 836 compras nas primeiras quatro horas de funcionamento — e ninguém teve de esperar um segundo na caixa.

Não lhe podemos chamar o supermercado do futuro, porque o futuro já nos apanhou. Este “laboratório” da Jerónimo Martins não veio substituir as lojas tradicionais, mas serve para “testar novas tecnologias e produtos”, conta à NiT André Ribeiro de Faria, Chief Marketing and Consumer Officer da empresa e responsável por desenhar e implementar o projeto.

Os corredores.

O espaço, de 250 metros quadrados, tem produtos da gama Pingo Doce, mas também vários serviços inovadores “adaptados às necessidades dos alunos, que têm intervalos de 15 minutos, têm fome e se virem uma fila grande vão-se embora”, explica André Ribeiro de Faria. O objetivo da empresa é oferecer uma experiência de compras de conveniência em “menos de um minuto”.

Esta sexta-feira, 4 de outubro, a NiT foi até ao campus da Nova SBE testar o serviço do Pingo Doce & Go e explica-lhe como tudo funciona.

A app

Para se entrar na loja, é preciso descarregar a app Pingo Doce & Go Nova para o telemóvel, disponível gratuitamente para iOS e Android. Se chegar ao supermercado e ainda não a tiver no smartphone — como aconteceu com a equipa da NiT — não se preocupe: pode usar a rede de Wi-Fi gratuita do supermercado para fazer o download, que funciona bem e não pede qualquer email ou registo. Assim que abrir a aplicação, é-lhe pedido o número de telemóvel, onde vai receber um código de verificação de quatro dígitos com o qual pode depois avançar.

É intuitiva.

Feito o registo, é gerado um QR code que deve usar para entrar na loja, um processo rápido que se assemelha a usar o passe para entrar no metro. Já lá dentro, as compras são todas registadas na app pelos próprios clientes de duas formas: se o seu smartphone tiver NFC (uma tecnologia de comunicação sem fios), basta encostá-lo ao código de barras do artigo; se não (como é, para já, o caso dos iPhones), o registo é feito através da câmara, bastando apenas apontá-la para o código do produto.

Todos os processos são rápidos e intuitivos e a aplicação não dá erros nem bloqueia. Se quiser remover artigos do “carrinho”, pode fazê-lo manualmente — carregando no símbolo de “menos” na quantidade do produto — ou encostando novamente o telemóvel ao código de barras (se tiver NFC) até a luz ficar amarela.

O pagamento é feito da mesma forma que, por exemplo, na Uber. Se tiver um cartão de crédito, basta associá-lo à aplicação e selecionar a opção de pagamento. Se não tiver cartão de crédito, ou não o quiser associar nem perder tempo a criar cartões temporários, pode selecionar a opção de pagar no terminal de multibanco, onde só são aceites cartões de crédito ou débito — pode deixar os trocos e as notas em casa.

Depois de pagar, não há qualquer talão, fica tudo registado na app, que gera automaticamente um QR code para apresentar à saída.

O registo dos artigos faz-se assim.

Os produtos e serviços

No Pingo Doce & Go, há produtos e serviços inovadores feitos a pensar nos estudantes. Por lá, vai encontrar por exemplo máquinas de café — com leite normal ou vegetal — que funcionam em regime de self-service; um forno de pedra, onde por 50 cêntimos os clientes podem aquecer uma pizza do supermercado (que custam a partir de 1,79€); um balcão de sanduíches e saladas e vários pratos de takeaway, como sopas, arroz de pato, wraps e até caixas de sushi.

A fruta é toda vendida à unidade, para facilitar a compra — as maçãs custam 29 cêntimos e as bananas começam nos 11 cêntimos. Uma das novidades são as “bananas de ponta azul”, uma técnica em que se mergulha uma das extremidades da fruta em cera comestível para prolongar o tempo de conservação.

Há uma grande aposta em produtos feitos no próprio espaço, como os purés de abacate, banana e muesli (1,99€) ou os hambúrgueres de angus nacional com queijo cheddar (2,50€). O corredor das bebidas tem uma vasta seleção de cervejas alemãs, já que “50 por cento dos alunos de mestrado vem da Alemanha”, explica-nos o líder do projeto.

Mas também há uma ECO: as máquinas de água do Pingo Doce onde se pode encher uma garrafa de três litros por 18 cêntimos, e uma mini parafarmácia com os produtos mais procurados pelos alunos. Curiosamente, esta gama inclui duas referências diferentes de testes de gravidez.

Nesta loja não há sacos de compras de plástico, apenas de papel ou reutilizáveis (e este princípio estende-se às frutas e legumes). Os talheres são de madeira, tal como os pauzinhos do café.

As máquinas de café.

Go 24/7

Talvez um dos maiores destaques do projeto seja a Go 24/7, uma espécie de vending machine “desenvolvida com as mesmas tecnologias da Amazon Go”, conta-nos a equipa da Jerónimo Martins. Este armário está fora do supermercado e tem algumas prateleiras com câmaras e sensores de peso que detetam automaticamente que produtos são retirados e os cobra através da app.

A equipa da NiT fez o teste com um pacote de bolachas TUC e um iogurte líquido. Depois de abrirmos as portas de vidro através da aplicação, retirámos os dois artigos e voltámos a fechar a porta. Passados cerca de 12 segundos, apareceu-nos no telefone a mensagem a confirmar que a compra tinha sido feita — e os artigos cobrados estavam certos. Na primeira noite de funcionamento (quinta-feira, 3 de outubro), o stock da Go 24/7 desapareceu rapidamente das prateleiras.

O projeto

André Ribeiro de Faria levou um ano e meio a lançar o Pingo Doce & Go. A seu lado, contou com uma equipa de jovens engenheiros e economistas, como Pedro Sobral, de 27 anos, que fez o programa de trainees e esteve a gerir uma loja Recheio. “Por enquanto os clientes têm-se orientado bem. Isto é um laboratório e tudo isto é uma aprendizagem”, conta-nos.

O espaço.

Para controlar os roubos, há mais de cem câmaras espalhadas pelos tetos, paredes e prateleiras, além de placas com a mensagem “sorria, está a ser filmado”. No primeiro dia, foi apenas apanhado um cliente a tentar levar artigos sem pagar, mas André não se mostrou preocupado: “esta loja é completamente identificável, está tudo registado”.

Além do segurança à porta, há 20 pessoas a trabalhar na loja, responsáveis por repor o stock, servir aos balcões e prestar apoio aos clientes. “Ao contrário do que as pessoas pensam, esta loja tem mais pessoas a trabalhar por metro quadrado que as outras”, revela André. 

No primeiro dia, a loja funcionou entre as 17 e as 21 horas. Nesse espaço de tempo, foram feitos mais de 1200 registos na aplicação e 836 compras: “os estudantes nem precisaram de ajuda”, acrescenta a equipa da Jerónimo Martins. Para já, o projeto dá sinais de ser um sucesso estrondoso entre os clientes de uma geração que se habituou a tratar o smatphone como uma extensão da própria vida.

Zona de takeaway.