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Gourmet e Vinhos

Dona Palmira vende castanhas assadas há 40 anos, mas não festeja o São Martinho

A data assinala-se esta segunda-feira, 11 de novembro. A NiT foi falar com quem realmente percebe do assunto.
Dona Palmira vende castanhas há 40 anos.

Tal como reza a tradição, no dia de São Martinho faz-se o magusto e prova-se o vinho. O dia 11 de novembro é dedicado a este santo – um jovem soldado que num dia frio e chuvoso encontrou um mendigo a tremer de frio e cortou a própria capa para dar ao pedinte. Diz a lenda que para compensá-lo de tal ato de caridade, o mau tempo foi embora e surgiram três dias de verão em pleno outono para proteger a alma caridosa do frio.

O Dia de São Martinho, que este ano se celebra numa segunda-feira, passou a ser um bom pretexto para festejar e comer castanhas. Por isso mesmo, a NiT foi ao encontro de Palmira Ferreira, 62 anos, que vende castanhas assadas há 40 anos e que há 15 anos fixou o seu ponto de venda em Sete Rios, Lisboa.

“Cada castanheiro tem o seu lugar estipulado dentro de Lisboa e em frente ao Terminal Rodoviário de Sete Rios é o meu. Comprei esta licença que estava livre e efetuei a transferência da zona do Arco do Cego para cá. Quando mudei de lugar, alguns clientes da rua Casal Ribeiro passaram a comprar comigo aqui”, conta à NiT, Palmira Ferreira.

Todos os dias, de segunda a domingo, a Dona Palmira chega ao Terminal de Sete Rios a conduzir uma mota adaptada, que também é o seu local de trabalho. Buzina e pede licença aos peões que andam pelo local, mas sempre com muita simpatia. Uma cena que chama a atenção de quem passa pela praça.

Num dia comum, por volta das 10 horas da manhã, a vendedora de castanhas começa a acender as brasas e a preparar o assador. Mas no Dia de São Martinho, o trabalho começa às 8 horas e não tem prazo para acabar.

“Hoje cheguei bem mais cedo, porque é um dia especial e as pessoas fazem muitas encomendas. Não sou uma mulher de festejar datas, mas trabalho bastante porque as castanhas assadas fazem parte da tradição dos portugueses. Até que haja movimento vamos aguentando, já que o Dia de São Martinho é apenas uma vez ao ano”, explica.

As castanhas assadas quentinhas da Dona Palmira.

A já famosa Dona Palmira começou a trabalhar como empregada doméstica aos 14 anos de idade. Quando casou, foi trabalhar com o marido e passou a vender frutos secos e castanhas assadas de feira em feira, do Algarve ao norte do País. Foi assim que, segundo ela, criou três filhos e melhorou de vida.

Quando começou a vender castanhas assadas, custavam 15 escudos a dúzia. Agora, o cartucho com seis custa 1,50€, enquanto a dúzia fica por 2,50€. 

Quando perguntamos qual o segredo para confecionar uma castanha assada saborosa, Palmira mostra-se misteriosa, mas revela que o fator primordial é saber escolher as castanhas certas e identificar as que têm boa qualidade. Habilidade que os 40 anos de experiência lhe concederam.

Nas estações mais quentes do ano, entre os meses de maio e setembro, a Dona Palmira troca a mota das castanhas assadas por um quiosque de gelados, sempre no mesmo local, a estação de Sete Rios, em Lisboa.

Há 15 anos Sete Rios.