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A história das batatas fritas espanholas de “Parasitas” que são um sucesso

A lata de alumínio da Bonilla a la Vista apareceu uns segundos no filme vencedor dos Óscares e as vendas dispararam.
A lata vez sucesso em "Parasitas".

Uma lata de alumínio branca com letras azuis passou despercebida para muita gente em “Parasitas”, mas a verdade é que alguns segundos de fama no grande vencedor da edição 2020 dos Óscares fizeram disparar (e muito) as vendas da Bonilla a la Vista. Um dos produtos mais conhecidos desta marca espanhola são as batatas fritas, exatamente o artigo que aparece no filme coreano. O sucesso do snack não é de agora, pelo menos na Coreia do Sul, que nos últimos anos tem recebido mais de 40 mil quilos de batatas por mês.

Agora um pouco de contexto — e spoiler, mas nada que estrague a história do filme, não se preocupe. É na cena em que a família Kim, infiltrada na casa dos Park está a fazer uma grande ceia com álcool e vários snacks que aparece a icónica lata de batatas fritas Bonilla a la Vista debaixo da mesa.

O momento em que aparecem em “Parasitas”, no canto inferior esquerdo.

A marca existe desde 1932 e foi fundada em Arteixo, na Corunha, no norte de Espanha. As latas só entraram na linha em 1949 e tornaram-se um dos grandes emblemas desde essa altura. É o produto mais popular no site da marca desde que apareceram em “Parasitas”, o vencedor de 2020 dos Óscares de Melhor Filme, o primeiro para um filme de língua não inglesa, Melhor Realizador, para Bong Joon Ho, Melhor Filme Estrangeiro e Melhor Argumento Original.

Segundo o jornal inglês “The Guardian”, as vendas desta lata online cresceram 150 por cento deste que estreou o filme, o que tem levado a fábrica (de 100 empregados) a aumentar a produção. Influenciadores nas redes sociais com várias partilhas de imagens do snack também contribuíram para este sucesso.

A lata tem capacidade para 500 gramas e custa 13€. Pode ser encomendada para Portugal através do site. Descobrimos também uma loja online no norte de Portugal que tem as batatas disponíveis, mas apenas em pacotes normais de 150 gramas. Fazem entregas na zona do Porto, Braga, Aveiro ou Viana do Castelo.

Também estão disponíveis em pacote.

Salvador Bonilla foi o fundador da Bonilla a la Vista, em 1932. César, o filho, com 87 anos, é o atual responsável pela empresa, e faz parte da terceira geração da família. A marca é também responsável por seis churrarias na zona da Corunha.

Salvador começou a empresa com a venda de churros e batatas fritas em feiras na Galiza. Quase um século depois, a marca é um sucesso no país, mas também um pouco por todo o mundo. Por ano produzem mais de 540 toneladas de batatas. Desse bolo, 60 toneladas são para exportação, dois terços dos quais chega até à Coreia do Sul.

A procura no mercado coreano começou há quatro anos depois de investidores terem visitado várias fábricas em Espanha. “Vieram três ou quatro vezes, conversámos e negociámos. Visitaram algumas fábricas, mas no final, escolheram-nos. As nossas eram as batatas fritas que eles gostavam. Tornámos-nos amigos quase antes de começarmos a fazer negócios”, explicou César ao “The Guardian”.

“Tanto usamos batatas do sul como do norte. É um produto sazonal e procuramos sempre a melhor colheita. Outro do sucesso é o azeite. Apenas usamos o produto da empresa galega Aceites Abril”, disse o responsável numa entrevista ao “Fuera de Serie”, do “Expansion”.

Vendem em latas desde os anos 40.

A fábrica em Arteixo tem 3400 metros quadrados e por dia produz 6 mil quilos de batatas e mais de 25 mil de churros, outro dos produtos mais vendidos. As batatas estão presentes em mais de 20 países. Foi o chef José Andrés que as levou para servir aos clientes nos seus restaurantes em Londres. Já em 2014 chegaram ao paladar francês. A marca de alta costura Balmain usou um saco de batatas na campanha de primavera-verão que apresentou nesse ano.

Esta procura depois do filme foi repentina e o responsável pela marca nem sabia que tinham aparecido em “Parasitas”. “Na verdade, só descobrimos que estávamos no filme através de amigos e clientes que o viram. Foi uma surpresa completa.”

César Bonilla ainda não conseguiu sequer assistir à obra coreana. “Mas preciso, será um ótimo momento”, explicou. Pretende também enviar ao realizador Bong Joon Ho uma ou duas latas de batatas fritas para colocar ao lado das estatuetas. “Ele merece.”