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Gourmet e Vinhos

A fábrica onde nascem os chocolates da Regina — e as míticas Pintarolas

Em Vila do Conde fazem-se 100 mil tabletes de chocolate por dia mas aquelas mini barras com recheios chegam a ser 450 mil.
As Pintarolas nascem em Vila do Conde e seguem África e América Latina.

Por esta altura, em muitas casas embrulham-se os últimos presentes, colocam-se laços e etiquetas com nomes. Alguns terão direito a um miminho especial de Natal, chocolates, e os pais ou avós mais sortudos voltarão a ver algo de que já falaram dezenas de vezes aos filhos e aos netos e que os transportará de volta àquilo que eram os luxos da infância e da adolescência. Estamos a falar da máquina de furos da marca Regina, provavelmente um dos produtos mais presentes na memória dos portugueses. A caixa, que apareceu nos anos 40, tinha uma espécie de quadro com 140 buracos (a 80 cêntimos cada) que libertava bolas disponíveis em sete cores. Cada uma dava direito a um chocolate (sombrinhas, floc-choc, bombons Regina Coração e a tablete Classic de chocolate com amêndoa). E, se calhasse a bola dourada, o brinde era uma caixa de bombons recheados.

A Imperial fê-la regressar em 2013, após ter estado 20 anos desaparecida das confeitarias e dos quiosques. A caixa voltou em versão miniatura e doméstica, mas com o funcionamento igual ao de outros tempos. Tinha 20 furos e trazia sete bolas verdes, cinco vermelhas e cinco amarelas, uma bola azul e uma prateada. Teve um sucesso estrondoso e, no espaço de um ano, a empresa vendeu mais de três milhões de máquinas de furos.

A fábrica de chocolates – detentora das marcas Regina, Jubileu, Pintarolas, Pantagruel, Fantasias e Allegro – tem feito de tudo para se manter atualizada. Foi distinguida pela Cotec com o Prémio Inovação 2012 e, só em 2017, atingiu um volume de negócios a rondar os 23 milhões de euros – também graças à exportação dos produtos. Atualmente, movimenta mais de 30 milhões de euros e exporta 30% do volume de vendas. É a maior produtora portuguesa de chocolates em quantidade e, além das suas marcas, fabrica doces para outras, como a Canderel.

É em Vila do Conde que a Imperial tem a sua produção. Quando entramos sentimo-nos como o Charlie na fábrica de chocolate, mas sem Oompa-Loompas. O aroma vai delineando o caminho da visita e um leve odor a amêndoa torrada vai sendo trocado pelo do chocolate.

A entrada obriga a uma série de protocolos. É necessário usar bata, touca, lavar as mãos e desinfetá-las. A porta exige reconhecimento facial de um dos membros da equipa industrial. Do lado de lá, a maquinaria está a trabalhar na produção da Páscoa – figuras ocas como ovos e coelhos de chocolate. A série de Natal foi terminada em julho para poder chegar aos supermercados e às restantes superfícies a tempo. A produção aumenta em média apenas 5% nas épocas festivas.

“Produzimos [chocolates para o Natal] no verão, de maio a julho, para o navio poder levar em julho e agosto os produtos para os 50 países para os quais exportamos. Chegam em setembro e outubro”, explica à NiT Valdemar Figueiredo, diretor industrial da empresa.