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Fomos aprender como se fazem os gelados em flor da Amorino

A gelataria serve os sabores de forma criativa. Será que é tão fácil como parece, pelo menos quando vemos os empregados?
Tentámos reproduzir, mas não ficou muito igual.

Trinta segundos. Este é o tempo que todos os empregados das gelatarias da Amorino têm para fazer gelados em flor nos cones. Parece algo simples, pelo menos quando os vemos a colocar pétala a pétala com os sabores que escolhemos. Desta vez, fomos para trás do balcão apreender a técnica, tudo para no final apresentarmos uma bela rosa colorida. A coisa correu tão bem que a meio estivemos quase para largar a espátula e comer a flor como estava: meio murcha e tal. Mas com muito sabor.

A consistência dos gelados da Amorino ajuda a fazer esta construção. São mais maleáveis — mesmo os de fruta — por isso está à vontade para escolher qualquer uma das opções que se encontra na vitrine. Foi na loja da Rua Garrett, no Chiado, a segunda da marca a abrir em Lisboa, que tivemos a nossa formação.

As filas costumam ser grandes, e como a maioria das pessoas escolhe sempre o gelado em cone, por causa da flor e para partilhar no Instagram (em copo não é possível), os empregados não podem demorar muito tempo com cada pedido. E a razão não é apenas pelo número de clientes. Quanto mais tempo passa, o gelado começa a derreter e fica cada vez mais difícil juntar novas pétalas, porque não se agarram às que já criámos. Este foi o principal problema na nossa tarefa.

Primeiro observamos um profissional a fazer o trabalho bem feito. Tudo perfeito, pois claro. Tirámos algumas notas mentais e depois, de avental posto e touca na cabeça — é obrigatório para quem está atrás do balcão —, foi a nossa vez.

Cone na mão direita, espátula na mão esquerda. É a base deste trabalho. Depois a parte divertida: escolher os sabores. O primeiro que é colocado no cone é em rolinho, para fazer o centro. Pressionar num pouco o sabor e fazer com que enrole ligeiramente. Depois, com a espátula, junta-se ao centro do cone.

Com esta base feita, seguem-se as pétalas. Não fomos muito pelos sabores. Queríamos algo colorido e foi mais por ai que as escolhas foram feitas. Tinha-se sempre de encontrar uma espessura lisa nos gelados para se conseguir tirar uma pétala perfeita. É mais uma vez com espátula. Tem sempre de se retirar uma limpa da zona onde estão mergulhadas em água e enxugar no pano que está mesmo ao lado. O sabor tem de cobrir toda a superfície e ter poucos centímetros de espessura.

Não pode ser demasiado grosso, nem muito fino. Assim com dois dedos, explicaram-nos. Retira-se da caixa, junta-se ao centro e roda-se ligeiramente a mão com o cone para fazer o formato ideal. Claro que não ficou como se pretendia. Mas não desistimos. As pétalas ficavam um pouco tortas, e como demorámos algum tempo na escolha dos sabores, o gelado derretia e tudo se complicava. Tínhamos de colocar um pouco em cima da anterior para colar tudo.

Também é possível acrescentar macarons.

A cada pétala tentávamos corrigir o erro da anterior. O mal já estava feito. No final ficamos com uma rosa, ou uma outra flor qualquer que não seja assim tão elegante, vá. O sabor ficou bom, mesmo com tantas pequenas doses que por lá acrescentámos. Para a próxima iremos propor servir gelados em copo na Amorino. Aí não haverá muito que enganar. E mesmo assim não sabemos.

Ficámos mais descansados quando nos disseram que os empregados demoram um mês até ter a técnica aprimorada. Faltam-nos ainda umas sessões para chegarmos ao mesmo nível.

A Amorino foi criada pelos italianos Paolo Benassi e Cristiano Seroni em 2002 e chegou a Portugal dez anos depois. Atualmente conta com seis lojas no País: três em Lisboa, duas no Porto e uma no Algarve, em Vilamoura. Está presente em mais de 15 países.