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Restaurantes

The Aroma: os novos sabores do Beato num espaço cheio de história

Já serviu de cavalariças, sociedade filarmónica, local de fado vadio, palco de peças de teatro e até para jogar laranjinha, um jogo tradicional português. Agora, é um restaurante com pinturas de José Malhoa.

Paulo Gomes, 55 anos, só queria ter um espaço em Lisboa que lhe permitisse expandir o negócio de queijos da família, que existe há 125 anos em Évora. Quando fez uma das primeiras visitas ao armazém abandonado na zona do Beato, o irmão deu-lhe a sugestão.

“Disse-me que tinha aqui o espaço perfeito para abrir um restaurante”, conta à NiT Paulo Gomes. O espaço esteve em obras durante nove meses até se transformar noThe Aromas. Por ali servem-se pratos de cozinha portuguesa e menus de almoço a 8,50€, com pratos que mudam todos os dias. Há 200 anos a história era bem diferente.

“Depois de ficarmos com o armazém, fomos pesquisar sobre o que aqui funcionou.” Paulo descobriu que o edifício original foi construído para ser usado como cavalariças. Guardavam palha, mas também barris de vinho da Abel Pereira da Fonseca, cujo armazém principal ficava na zona de Marvila. O número 7 da Calçada do Olival foi também sede da SMUB, a Sociedade Musical União do Beato. “Os miúdos aprendiam aqui a tocar vários instrumentos de sopro, como saxofone, clarinete e trombone.”

Na Sociedade faziam-se também vários torneiros da laranjinha, um jogo tradicional português parecido com a petanca. “O utensílio para alisar a terra está pendurado na parede. Tentámos que o retângulo de areia do jogo ficasse à vista, mas construir um chão de vidro com nove metros por três e seis centímetros de espessura era demasiado caro” O que não lhes custou nada foram algumas pinturas que por ali descobriram e que usaram para decorar o espaço. Logo à entrada, à direita, está uma obra com o plantel do Benfica na década de 50. com o treinador Otto Glória, mas há mais.

Durante as obras no restaurante encontraram pinturas de José Malhoa

“Parece que os artistas usavam este espaço para pintar as obras que depois acabavam por ficar aqui. Descobrimos pinturas de José Malhoa, que não expusemos, e até uma réplica de ‘O Fado’.” Foi quando começaram a limpar as paredes, a tirar azulejo e estuque que descobriram as obras de arte.

No piso superior havia um palco onde se faziam peças de teatro. “Queríamos ter um conceito diferente com teatro e jantares, mas quando fomos lá ver, o palco caiu todo.” Ainda assim, vão usar esse piso para sala de fumadores e até para eventos privados quando estiver finalizado. Só na zona inferior é que tudo está operacional e é por lá que pode almoçar e jantar pratos típicos portugueses preparados pelo chef Paulo Gomes.

Sempre trabalhou como biólogo em Portugal e no estrangeiro, mas quando ficou com a herdade dos país em Évora mudou de vida. Agarrou no negócios dos queijos e introduziu a produção de porco preto, enchidos e ainda de produtos agrícolas com entrega de cabazes de frescos em várias zona do País. A ideia de vir para Lisboa era apenas expandir a entrega dos queijos, mas acabou por construir um restaurante, negócio que não é novo na família.

“Tenho primos no estrangeiro com restaurantes desde os anos 80. Todos eles se chamam The Aroma, o nome que também usei para este espaço.” Ficam em Nova Jérsia, nos Estados Unidos, em Toronto, no Canadá, e ainda em São Paulo, no Brasil.

O novo espaço tem capacidade para 95 pessoas (pelo menos antes da abertura do piso superior). Aos almoços, a carta não é nada complicada. O menu custa 8,50€ e inclui pão, queijo, azeitonas, café e um dos pratos que variam todos os dias. Secretos de porco preto, cherne na grelha, salmão, bife de mostarda e alheira de caça foram algumas das sugestões que ali já se prepararam. Para os jantares há muitos petiscos, pratos de carne e peixe.

Carregue na imagem acima para saber mais sobre o The Aromas.

localização, contactos e horários

morada
  • Calçada do Olival, 7, Lisboa
    Lisboa
site e redes sociais
facebook
www.facebook.com/TheAromabistroecafe/?fref=ts
horários
10h-24h. Fecha ao domingo

ficha técnica

tipo(s) de cozinha
Portuguesa
região
Lisboa
chef(s)
Paulo Gomes
aceita reservas?
sim