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Restaurantes

Há mais um restaurante na Baixa do Porto

Chama-se Cruel. A carta tem três níveis desafiantes, pratos criativos do chef Luís Américo e muitos petiscos — todos para partilhar.
Foto de ES

O prato é colocado na mesa e tem um aspeto delicioso, mas calma, há regras a seguir. Antes de provar, tem que levar à boca a pequena colher que o acompanha, com uma espécie de fruto estranho no topo. Surpresa: não é um fruto, mas sim um botão de Sichuan (ou folha de jambu, tal como é conhecido no Brasil, país de origem da planta) que provoca uma sensação de choque, dormência e um aumento da produção de saliva — tudo para preparar a boca para a degustação do prato. Bem-vindo ao Cruel, que abriu a 27 de agosto.

Este não é um desafio para todos, por isso o carpaccio de novilho com flor elétrica e pesto faz parte do nível mais exigente da carta do novo restaurante na Rua da Picaria, na baixa do Porto. Há mais dois níveis criados a pensar nos menos aventureiros. Este é o terceiro espaço que abriu na rua desde o início do ano, depois do Porto Meu e do BaixóPito.

O conceito pouco usual da carta foi uma ideia conjunta de Marta Freitas — proprietária do espaço e encenadora de teatro — e de Luís Américo, chef do restaurante Cantina 32.

A carta tem três níveis de experiência: Cruel, Medroso e Cauteloso

“Sempre quis ter um restaurante. Gosto muito de comer e ainda mais de toda a partilha que acontece à mesa. O nome Cruel foi uma ideia da minha filha e foi a partir daí que eu e o Luís pensámos num conceito de carta com três graus de experiência”, explica à NiT Marta Ferreira.

Medroso, cauteloso e cruel. São estes os três níveis à escolha de quem entra no número 86. Cada um deles está dividido em entradas, pratos principais e sobremesas.

Os menos corajosos podem, por exemplo, pedir tarte de cogumelos com queijo, azeitonas e tomate (4,5€); naco de novilho na brasa com batata a murro (18€); e terminar com espuma de baba de camelo com maçã caramelizada e amêndoas merengadas (3,5€).

O nível seguinte é ideal para quem gosta de ir ao mar depois da refeição mas, pelo sim pelo não, espera três horas para o fazer — os cautelosos. Podem pedir crostini de alho negro com pimentos piquillo e mozzarella (6€); francesinha à diávola (12€); ou coscorões com açúcar, canela e flor de sal (3,5€).

A carta do Cruel foi desenhada pelo chef Luís Américo de acordo com o conceito criado por Marta Ferreira, a proprietária do restaurante que também é encenadora

Finalmente, a refeição para homens (e mulheres) de estômago e paladar rijo. Há bolas de berlim com mousse de salmão e creme de wasabi (6,5€); risotto de cogumelos com alucinação (14€); orelha de elefante com arroz de tomate (20€); toucinho do inferno (5€); ou tiramissú de lima em coma alcoólico (4€). Se acha que no Cruel se serve mesmo carne de elefante ou risotto com estupefacientes, está enganado — conheça na fotogaleria os segredos de cada um dos pratos.

Ao almoço, há menus a 12€ com uma peculiaridade: pode pedir o Almoço do Staff — o nome diz tudo: é exatamente aquilo que os funcionários do restaurante vão comer nesse dia.

Durante a visita da NiT, Marta parou em frente da máquina registadora antiga, que está no corredor da entrada. “Estes números estão errados, devia registar 666”.

A atenção aos detalhes na decoração do Cruel é obsessiva. Algumas das peças decorativas — os sofás vermelhos com um braço colocados à entrada — fizeram parte do cenário das suas peças. Outras peças foram resgatadas de obras (as portas de madeira que dão acesso às casas de banho, por exemplo) e o couvert é servido em molduras de metal.

Carregue na imagem acima acima para conhecer melhor o espaço e os pratos do Cruel.