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Turismos Rurais e Hotéis

Este hotel é inspirado no amor entre um russo e uma portuguesa

O Hotel Stroganov, de cinco estrelas, tem 12 quartos que contam o romance entre Juliana e Gregory Strogonoff. Abre brevemente nos arredores de Oliveira do Hospital.

Juliana (1782-1864) tinha 16 anos quando casou pela primeira vez com um viúvo pai de cinco filhos. Não foi um casamento feliz — ele tinha 45 anos, era feio e vaidoso, ela era demasiado jovem, bonita e inconformada. O casamento ficou marcado pela infidelidade, em particular quando a condessa conheceu o barão russo Gregory Strogonoff (1770-1857). Digamos que não conseguiam estar longe um do outro — mesmo que o romance não passasse despercebido a ninguém.

Foram separados pela guerra napoleónica, sofreram com as intrigas da época, mas nunca desistiram um do outro. Quando o conflito chegou ao fim, a portuguesa e o russo voltaram a encontrar-se. Estávamos no ano de 1811. Juliana não quis perder mais tempo: abandonou o marido e foi atrás do Conde Strogonoff, primeiro para a Suécia, depois para São Petersburgo, na Rússia. Quando os respetivos esposos morreram, Juliana e Gregory casaram. E segundo dizem, foram mesmo felizes para sempre.

Pequeno parêntesis: é pouco provável que tenha sido Gregory Strogonoff o autor do famoso prato strogonoff— a história é incerta, mas parece mais lógico que o inventor tenha sido o também russo Pavel Stroganoff.

Foi esta bonita história de amor que inspirou Marina Kartashova para construir o Hotel Stroganov, um espaço de cinco estrelas em Fiais da Beira, a 14 quilómetros de Oliveira do Hospital. O espaço, que abre dentro de poucas semanas (ainda não há uma data concreta, estão nos últimos retoques), surgiu do sonho de uma mulher russa de 58 anos, que há cerca de sete decidiu que um dia haveria de receber hóspedes.

Portugal não foi a primeira opção. “Quando decidi abrir um hotel, confesso que comecei por procurar noutros países”, revela Marina Kartashova à NiT. Depois de descartar países como a Alemanha ou Hungria, porém, foi na pequena aldeia de Fiais da Beira que encontrou o local perfeito.

“Cheguei a Portugal em março de 2010 e, em duas semanas, vi mais de 30 propriedades”, recorda à NiT Marina Kartashova. “Esta foi a última.” A antiga casa senhorial de 1898 estava fechada há vários anos e já apresentava sinais evidentes de degradação e abandono. “Estava numa condição triste, praticamente em ruínas. Um dos quartos estava cheinho de morcegos. Assim que abri a porta e entrou luz, voaram todos em direção à minha cara.”

Há o quarto Chocolate (porque Juliana adorava chocolate), o Blossom (porque Juliana adorava os seus jardins) e o Jewelry Box (porque Juliana era uma das damas mais fashion do seu tempo)

Apesar dos convidados indesejados, Kartashova gostou do que viu. Em fevereiro de 2014, arrancaram as obras.

“Queria mostrar que há muitas coisas em comum entre as culturas portuguesa e russa, tal e qual como houve entre Juliana e Gregory.” O resultado são 12 quartos peculiares, todos com uma decoração diferente e relacionada com a história de amor entre a portuguesa e o russo.

Há o quarto Chocolate (porque Juliana adorava chocolate), o Blossom (porque Juliana adorava os seus jardins) e o Jewelry Box (porque Juliana era uma das damas mais fashion do seu tempo), mas também o Azulejos (imagem de marca de Portugal) ou o Shawls (mostra as semelhanças no vestuário dos dois países).

 

Para além dos quartos, o hotel oferece ainda um restaurante, um bar e um amplo terraço com vista para as Serras da Estrela e do Caramulo. No verão, vão ser servidos aqui snacks, bebidas frescas e refeições ligeiras. Também há um spa com piscina interior, jacuzzi, três salas de tratamento, um salão de beleza, sauna, banho turco e ginásio.

Os hóspedes têm ainda ao seu dispor um pavilhão de eventos com capacidade para 250 pessoas e um pequeno jardim francês com roseiras. Em breve ficará também pronto um segundo terraço, que será utilizado sobretudo para servir infusões. “Aqui na zona praticamente não há um sítio onde beber chá, e eu sei que há muita gente que gosta. Para além disso, a Rússia é o país dos chás.”

 

Espalhados pela casa de três andares há candeeiros, quadros e loiças que vieram de Moscovo, mas 90% dos materiais de decoração vieram da Península Ibérica — em particular de Portugal. Marina Kartashova percorreu feiras, lojas vintage e de antiguidades e até o OLX para encontrar as peças perfeitas para cada canto da casa. Nas casas de cerâmica encontrou tijoleiras das décadas de 60 e 70, numa empresa de materiais de construção em Viseu descobriu azulejos de fábricas que hoje já nem existem.

Marina Kartashova foi professora de Línguas durante mais de 20 anos. Nos últimos 12, virou-se apenas para a decoração. “Senti que estava na altura de fazer aquilo que eu gostava mesmo”. O (bom) gosto fê-la criar um espaço verdadeiramente único no Hotel Stroganov: não há ninguém que possa dizer que já viu uma coisa assim noutro lugar qualquer. Talvez por isso faça tanto sentido a resposta de Marina Kartashova, quando lhe perguntamos se estamos perante uma decoração tipicamente russa. “Não é tipicamente nada”, responde. “No final de contas, é apenas meu.”

Preços entre os 150€ e os 230€ por noite, consoante a época e a tipologia do quarto.

Carregue na imagem acima para saber mais sobre o hotel.

ficha técnica

região
Centro
estilo
Hotel
estrelas
5
intervalo de valores
Entre 100€ e 200€
piscina
Interior
wifi
sim